segunda-feira, 15 de novembro de 2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Outros jogadores...

Aqui fica a sugestão de um livro :

Cap.XI - Os Pequenos Burgueses de Carlos de Oliveira

Continua a ganhar. Parecendo que não, o burro e o bridge deixaram-lhe uma conta calada por mês. Os parceiros julgam que faz batota. Sem razão. Nos negócios, sim, tem fama e proveito de grande vigarista. Ali, porém, nunca o apanharam com a boca na botija, nem hão-de apanhar. É jogador até ao fundo da alma, e com a alma não brinca ele. Senta-se, mergulha na tensão do jogo, como se mergulhasse no mistério da missa, e tenta compreendê-lo. Aceita a divindade, quer dizer, o acaso, mas não deixa por isso de o interrogar ou corrigir, quando pode, e em geral sai-se bastante bem. Os outros pesam pouco, pesam apenas na medida em que hesitam, erram ou acertam, influenciando o jogo, influência aliás diminuta porque é fácil prever-lhes os erros, os acertos, as hesitações. Se descobre qualquer aldrabice, o que raramente acontece, deixa andar. O acaso, o essencial, também se faz desses acidentes. Uma vez que se dê por eles, que não passe por parvo diante de si mesmo, quer lá saber. (...)
Até Sábado!